sábado, 20 de abril de 2013

Claudemir.


No hospital, um senhor em um dos quartos, ao ver os palhaços chegarem, disse que não queria visita. Não queria conversa, nem música, nem companhia.
Respeitando sua decisão, os palhaços se dirigiram aos outros quartos onde cantaram, dançaram, riram, falaram e, principalmente, ouviram.
Compartilhar da vida dos pacientes é a coisa mais gostosa que dá pra se fazer enquanto palhaço de hospital.
Ao terminarem, enquanto os palhaços conversavam e se aprontavam nos corredores para irem embora, eu passava pela porta do quarto desse senhor.
Dei um oizinho do lado de fora, e ele abanou a mão para mim de volta.
Dei um sorriso do lado de fora, e ele me sorriu de volta.
Foi aí que percebi que, mesmo eu estando do lado de fora, estávamos na mesma sintonia. Eu mandava, ele recebia e mandava de volta.
Então, perguntei se ele estava bem, com um joinha. Ele me deu um joinha de volta, bem cabisbaixo.
Resolvi ir entrando ao poucos e perguntando sobre ele, nome, idade, o motivo de estar internado, e fui me apresentando como a palhaça Pom-Pom!
Ao ver vários sorrisos querendo aparecer no rosto daquele senhor, perguntei o que ele mais queria agora, além de ficar 100% bem. Ele me respondeu que queria ouvir uma música. 60 dias apaixonado.
Pedi para aguardar um pouco e saí atrás dos meninos da música. Por sorte, eles sabiam tocar e cantar a música escolhida.
Assim que os meninos entraram no quarto e deram um show no violão e na voz, os olhos do senhor encheram d'água... E enquanto cantavam, ele cantava junto, sorrindo e pensando.
"Essa música é minha história, traz saudade".
Depois nos despedimos. Eu com paz no coração, e ele me dizendo que estava menos sozinho agora, que logo ficaria bom e sairia de lá.

Foi um dos dias mais sensíveis dessa palhacinha aqui.

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