segunda-feira, 29 de abril de 2013

Catarina Maria, Maria Aparecida, Nilva.


            Que dia estranho, pesado... Difícil.
            Cheguei para conversar com D. Catarina Maria, que apenas me respondia com o olhar.
            Não conseguia entender o que ela queria ou não. Seus olhos me pediam ajuda, mas nada mais diziam para que eu pudesse ajudar.
            Não consegui ficar na mesma sintonia que ela... E isso me frustrou.
            Perguntei se ela queria que eu fosse embora. Ela faz que “não”, balançando a cabeça. Depois perguntei se ela queria que eu ficasse. Ela fez o mesmo movimento.
            Eu ficava confusa, sem saber o que fazer, como ajudar e o que ela queria.
            Aos poucos, fui percebendo que D. Catarina Maria queria ficar sozinha...
            Quando estava saindo, vi outros olhos me procurando. Era D. Maria Aparecida, que sorria para mim do outro lado do quarto.

            Ela tinha Alzheimer, e sofreu um AVC. Por conta disso, pouco se lembrava de fatos recentes, confundia seu passado e as pessoas, perdia o fio da conversa, tendo dificuldade de manter o foco em algo por algum espaço de tempo e fantasiava histórias que não tinha vivido.
            Com toda essa confusão, quem mais sofria era sua filha, D. Nilva.
            Enquanto D. Maria Aparecida viajava em histórias sobre gavião, cursos do rio e o casamento há bem mais de 30 anos atrás que ela JURA que me convidou e que eu estava presente, sua filha sofria ao ver sua mãe tão confusa.
            Parei um pouco de dar tanta atenção em D. Maria, para dar apoio para sua filha, que parecia angustiada enquanto sua mãe falava.
            Fomos conversando e eu sentia tristeza e cansaço em sua voz. Toda a situação com a mãe, com o pai e o irmão que também estavam doentes, já lhe pesava muito.
            Mas, bem naquele dia, sua mãe tinha recebido alta, e ia com seu pai para um local apropriado, com cuidado e profissionais.
            As coisas estavam melhorando para ela, que ia ter um pouco de descanso e logo tiraria as férias. Enquanto conversava comigo, ela suspirava, respirava fundo e sorria.
            O peso ia saindo de suas costas, e isso era fisicamente visível. LINDO de se ver.
            - Ela está bem, conversa, sorri, vive histórias, vai ter cuidado profissional, e a senhora precisa descansar! Agora vai ficar tudo bem... – eu dizia.
            E ela sorria, acreditando piamente em tudo o que eu dizia, de coração.
            E logo que eu terminei de dizer, chegou o médico, a enfermeira e uma cadeira de rodas, prontos para pegá-la. Ela ia sair do Hospital.
            Ao terminar a visita, eu andava pelo corredor quando ouvi alguém me chamando.
            - Você precisava estar na hora da música, para cantar, dançar... Animar!
            É, eu realmente precisava...
            Hoje talvez eu não tenha salvado o FelizIdade... Mas, com certeza, ele me salvou!

Nenhum comentário:

Postar um comentário