Hoje aconteceu uma coisa linda no hospital...
Um grande amigo nosso está internado há 6 semanas.
Ia embora de vez do hospital essa sexta-feira, mas acabaram estendendo o tratamento por mais 2 semanas.
Ele estava desanimado, mas tudo bem... Daríamos muita alegria para remediar um pouquinho aquela situação.
Mas, no final da visita, e de repente, ele saiu pelo corredor com o celular na mão me procurando com os olhos, dizendo "pera aí filha, encontrei a Marina, pode falar com ela agora".
Sua filhinha de 7 anos, que já havia conversado comigo pelo celular em outra visita, queria falar comigo.
"Ela me ligou na terça perguntando de vocês, mas eu disse que tinham vindo ontem e ela chorou porque eu não tinha ligado pra ela poder conversar com você", disse me entregando o celular.
Comecei a conversa com a garotinha que chorava no celular, e no meio deste papo tão doce, eis que surge a mágica...
"Quer falar com mais alguém do grupo?"
"Não..."
"Quer falar com seu pai?"
"Não, já falei com ele..."
"Com quem quer falar?"
"Com você".
"Está certo... Mas o que foi? Por que está chorando?"
"Meu papai, ele não vem mais pra casa..."
Como um passe de mágica, chega nosso amigo e me fala com os olhos brilhando: "Ficou sabendo? Eles me liberaram pra passar o final de semana em casa! Vou sexta e volto na segunda!".
Meu coração pulou de alegria!
"Aimée, seu papai precisa ficar aqui no hospital mais um pouquinho só, mas fica tranquila que estamos cuidando muito bem dele, viu? Mas vamos fazer assim, eu te empresto ele na sexta, e você me devolve ele na segunda, pode ser? Porque ele é muito legal, e vão ser os últimos dias que eu vou poder ficar com ele aqui também... Você me empresta ele mais um pouquinho, se eu te emprestar primeiro?"
Ela parou de chorar e me respondeu sem nem relutar!
"Empresto!"
Me mandou cuidar bem do papai dela e se despediu me mandando muitos beijos.
Tem coisa mais meiga que o amor de uma criança?
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Um dia diferente...
Hoje o dia foi ótimo no hospital.
Uma senhora da Oncologia me puxou para si, quase como um ímã.
Eram os olhos, os braços e o sorriso...
Me mostrou as fotos de seu neto, que hoje completava 2 meses de vida e, ao pedir para cantarmos "parabéns", ela caiu no choro.
Houve abraços, cafunés e conversas... Mas o sorriso só veio quando coloquei no rosto dela meus óculos verdes em formato de coração.
Logo depois disso, ela pediu para que eu escrevesse algo no verso da foto para ele.
"Que esse Gabriel seja mais que um anjo.
Que seja uma mágica, abençoado e cheio de luz!
Beijo da Palhaça Pom-Pom"
É... Foi o melhor que saiu na hora com a música e as emoções rolando soltas.
Mas ela entendeu o meu recado... Eu sei que sim!
Uma senhora da Oncologia me puxou para si, quase como um ímã.
Eram os olhos, os braços e o sorriso...
Me mostrou as fotos de seu neto, que hoje completava 2 meses de vida e, ao pedir para cantarmos "parabéns", ela caiu no choro.
Houve abraços, cafunés e conversas... Mas o sorriso só veio quando coloquei no rosto dela meus óculos verdes em formato de coração.
Logo depois disso, ela pediu para que eu escrevesse algo no verso da foto para ele.
"Que esse Gabriel seja mais que um anjo.
Que seja uma mágica, abençoado e cheio de luz!
Beijo da Palhaça Pom-Pom"
É... Foi o melhor que saiu na hora com a música e as emoções rolando soltas.
Mas ela entendeu o meu recado... Eu sei que sim!
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Último dia de Visita antes das Férias.
Um dia compensa o outro no grupo.
Pode ser que um dia de visita seja muito triste, pesado e desanimado... Mas logo vem outros que te relembrarão não só a importância de se doar para o próximo, mas também a delícia de se fazer isso.
Hoje foi a última visita antes de um mês de férias do grupo.
Os últimos encontros haviam sido tensos. O grupo passava por mudanças e adaptações, as situações nos leitos estavam pesadas e as visitas, por mais que fossem prazerosas e trouxessem histórias inesquecíveis, desgastavam mais que alegravam.
O papel do palhaço de hospital é o de propiciar alegria, bem estar, bom humor e amenizar dores e desconfortos provenientes da doença e do processo de hospitalização.
Certo. Mas e como ficam esses profissionais?
Acredito que algumas pessoas não se atentam para isso.
Eu não me atentava, até ser um deles.
Temos que nos doar, e transmitir tudo o que tivermos de bom em nós, sem nos apegar tanto, de forma a sofrer demasiadamente com as perdas, e sem ser desapegado o suficiente para parecer frio.
Além disso, temos que rebolar para que não nos contagiemos com a tristeza do hospital.
É difícil. Nosso psicológico tem que ser bem trabalhado e temos que estar em harmonia, não só conosco mesmo, mas também com os outros integrantes do grupo.
Mas dias como o de hoje me fazem reviver.
O hospital parecia o paraíso. A música era um luau. Os palhaços eram artistas. Os pacientes, anjos. Os acompanhantes, mágicos. Os profissionais da equipe de saúde eram estrelas. E a visita em si, foi um show.
Tudo saiu tão perfeitamente bem que eu duvido que desse para melhorar.
Eram vozes, histórias, sorrisos, brilho nos olhares, carinho, respeito, calor e muita humanidade sendo lançados o tempo todo, por todos.
E não apenas as visitas foram maravilhosas, como também a comunicação dos integrantes do grupo estava em perfeita harmonia.
Tudo estava em equilíbrio. O dia foi inesquecível.
Se tem algo que eu aprendi nesses anos visitando hospitais e estando cara a cara com a vida e a morte, foi como viver de verdade.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Airton e Teresa.
Que dia triste hoje no Feliz.
Recebi, com muito pesar, a notícia
que dois senhores, os quais eu tinha muito apreço, haviam falecido.
Seu Airton e D. Teresa não
resistiram aos efeitos da hospitalização.
O Feliz perdeu a cor naquele dia. Eu
perdi um pouco do sorriso... Das forças.
Como continuar com a mesma leveza?
A visita se desenrolou, novos idosos
ocuparam seus lugares, mas meu sorriso estava menos feliz. Não tanto pelos que
descansaram, mas mais por suas famílias, que conversavam comigo e me olhavam
com esperança de que eu pudesse ajuda-los, de que aquela situação pudesse mudar
comigo por perto.
Sempre tive essa sensação.
Por pior que a situação estivesse,
os familiares e amigos me olhavam com aquele clima de que não importava a
tristeza momentânea, porque a vida sempre continuava... O bom, o bonito e o
bem, ainda estavam por lá.
Como se fôssemos a mágica em pessoa,
a prova viva da felicidade.
E sendo assim, é como se eu tivesse
falhado com eles. É como se eu, por mais que representasse o bem, a alegria, as
coisas boas, fosse impotente diante da morte, diante da dor.
Foi a primeira vez que parei para
pensar nisso... E me doeu.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Cirlei e Maria.
Cada palhaço foi para um leito, e
como ela dormia, todos passaram reto.
Eu não havia reparado, mas uma
senhora me olhava, esperando que alguém fosse até ela. Uma colega me avisou, e
lá fui eu.
- Olá, a senhora é filha da D.
Antonia? – perguntei.
- Sou sim, sou a acompanhante de
hoje.
E assim começou nosso papo.
D.
Antonia, de 88 anos, 8 filhos – 4 homens, 4 mulheres -, tem mal de Alzheimer.
Perdeu dois filhos para a bebida, e a memória recente, para a doença.
Mas
o papo hoje era com Cirlei, aquela que diz ter decorado como assinar o seu nome,
já que não sabia escrever. Ela me pareceu uma mulher muito forte, e de muita
fé. Acredita em Deus, e em Jesus Cristo, apenas. “Deus sabe o que faz”, me
disse várias vezes.
Realmente,
ele sabe.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Catarina Maria, Maria Aparecida, Nilva.
Que dia estranho, pesado... Difícil.
Cheguei para conversar com D.
Catarina Maria, que apenas me respondia com o olhar.
Não conseguia entender o que ela
queria ou não. Seus olhos me pediam ajuda, mas nada mais diziam para que eu
pudesse ajudar.
Não consegui ficar na mesma sintonia
que ela... E isso me frustrou.
Perguntei se ela queria que eu fosse
embora. Ela faz que “não”, balançando a cabeça. Depois perguntei se ela queria
que eu ficasse. Ela fez o mesmo movimento.
Eu ficava confusa, sem saber o que
fazer, como ajudar e o que ela queria.
Aos poucos, fui percebendo que D.
Catarina Maria queria ficar sozinha...
Quando estava saindo, vi outros
olhos me procurando. Era D. Maria Aparecida, que sorria para mim do outro lado
do quarto.
Ela tinha Alzheimer, e sofreu um
AVC. Por conta disso, pouco se lembrava de fatos recentes, confundia seu
passado e as pessoas, perdia o fio da conversa, tendo dificuldade de manter o
foco em algo por algum espaço de tempo e fantasiava histórias que não tinha
vivido.
Com toda essa confusão, quem mais sofria
era sua filha, D. Nilva.
Enquanto D. Maria Aparecida viajava
em histórias sobre gavião, cursos do rio e o casamento há bem mais de 30 anos
atrás que ela JURA que me convidou e que eu estava presente, sua filha sofria
ao ver sua mãe tão confusa.
Parei um pouco de dar tanta atenção
em D. Maria, para dar apoio para sua filha, que parecia angustiada enquanto sua
mãe falava.
Fomos conversando e eu sentia
tristeza e cansaço em sua voz. Toda a situação com a mãe, com o pai e o irmão
que também estavam doentes, já lhe pesava muito.
Mas, bem naquele dia, sua mãe tinha
recebido alta, e ia com seu pai para um local apropriado, com cuidado e
profissionais.
As coisas estavam melhorando para
ela, que ia ter um pouco de descanso e logo tiraria as férias. Enquanto
conversava comigo, ela suspirava, respirava fundo e sorria.
O peso ia saindo de suas costas, e
isso era fisicamente visível. LINDO de se ver.
- Ela está bem, conversa, sorri,
vive histórias, vai ter cuidado profissional, e a senhora precisa descansar!
Agora vai ficar tudo bem... – eu dizia.
E ela sorria, acreditando piamente
em tudo o que eu dizia, de coração.
E logo que eu terminei de dizer,
chegou o médico, a enfermeira e uma cadeira de rodas, prontos para pegá-la. Ela
ia sair do Hospital.
Ao terminar a visita, eu andava pelo
corredor quando ouvi alguém me chamando.
- Você precisava estar na hora da
música, para cantar, dançar... Animar!
É, eu realmente precisava...
Hoje talvez eu não tenha salvado o
FelizIdade... Mas, com certeza, ele me salvou!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Sebastião, Renata.
Conversei
pouco com o Seu Sebastião, que me jurava ter por volta de 10 anos de idade. De
acordo com sobrinho, ele teria quase 83.
Enquanto estava lá, meu anjo Rafael
me chamou, para matar a saudade.
Disse que ia recitar um poema para
mim – pena que não o entendi por completo, só algo como “Se você for embora,
escreva uma carta para mim. Se não tiver papel, escreva nas asas de um
canarinho” -, mas tudo bem não ter entendido tudo, porque o principal vinha
logo a seguir.
- Ah, que lindo! O senhor só me
recitou este poema porque me ama... – eu disse sorrindo.
- Amo mesmo... Do fundo do meu
coração. – respondeu.
Ah, que coisa mais deliciosa de se
ouvir.
Saindo de lá, deixando meu anjo,
e o gatão do Seu Sebastião, fui para outro quarto, convocada por um outro colega palhaço, para
conversar com uma mulher.
Renata, 40 anos, ex-diarista,
diabética – e mais uns 13 problemas aí.
Me contou sobre sua filha Rafaela,
seu ex-marido, pai de Rafaela, sua
mãe, sua irmã, seu
“paquera” de 12 anos, motorista, dono de um cachorrinho fofo, sua amiga,
que lhe dá abrigo e ajuda e sobre seu sonho de ter sido farmacêutica.
Sobre sonhos... E sonhos...
Neste quarto, cumprimentei Seu João,
marido apaixonado de D. Teresa e D. Laurinda, que disse estar com saudade de
mim. Que delícia!
E a música hoje pareceu um luau...
Tão leve, tão animada e tão contagiante...
E saindo de lá, já as 19h30, corri
com a música para a Oncologia, onde mais 3 homens nos
esperavam para se divertir um pouco.
No outro quarto, preferimos não
cantar... O clima estava muito pesado.
O dia foi bem diferente do que estou
acostumada... Cheio de luz, muito amor sendo emanado. Me senti leve, e meu
coração bateu mais feliz.
O FelizIdade me salvou nesse dia.
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