Um dia compensa o outro no grupo.
Pode ser que um dia de visita seja muito triste, pesado e desanimado... Mas logo vem outros que te relembrarão não só a importância de se doar para o próximo, mas também a delícia de se fazer isso.
Hoje foi a última visita antes de um mês de férias do grupo.
Os últimos encontros haviam sido tensos. O grupo passava por mudanças e adaptações, as situações nos leitos estavam pesadas e as visitas, por mais que fossem prazerosas e trouxessem histórias inesquecíveis, desgastavam mais que alegravam.
O papel do palhaço de hospital é o de propiciar alegria, bem estar, bom humor e amenizar dores e desconfortos provenientes da doença e do processo de hospitalização.
Certo. Mas e como ficam esses profissionais?
Acredito que algumas pessoas não se atentam para isso.
Eu não me atentava, até ser um deles.
Temos que nos doar, e transmitir tudo o que tivermos de bom em nós, sem nos apegar tanto, de forma a sofrer demasiadamente com as perdas, e sem ser desapegado o suficiente para parecer frio.
Além disso, temos que rebolar para que não nos contagiemos com a tristeza do hospital.
É difícil. Nosso psicológico tem que ser bem trabalhado e temos que estar em harmonia, não só conosco mesmo, mas também com os outros integrantes do grupo.
Mas dias como o de hoje me fazem reviver.
O hospital parecia o paraíso. A música era um luau. Os palhaços eram artistas. Os pacientes, anjos. Os acompanhantes, mágicos. Os profissionais da equipe de saúde eram estrelas. E a visita em si, foi um show.
Tudo saiu tão perfeitamente bem que eu duvido que desse para melhorar.
Eram vozes, histórias, sorrisos, brilho nos olhares, carinho, respeito, calor e muita humanidade sendo lançados o tempo todo, por todos.
E não apenas as visitas foram maravilhosas, como também a comunicação dos integrantes do grupo estava em perfeita harmonia.
Tudo estava em equilíbrio. O dia foi inesquecível.
Se tem algo que eu aprendi nesses anos visitando hospitais e estando cara a cara com a vida e a morte, foi como viver de verdade.

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