quinta-feira, 27 de junho de 2013

Último dia de Visita antes das Férias.


Um dia compensa o outro no grupo.
Pode ser que um dia de visita seja muito triste, pesado e desanimado... Mas logo vem outros que te relembrarão não só a importância de se doar para o próximo, mas também a delícia de se fazer isso.
Hoje foi a última visita antes de um mês de férias do grupo.
Os últimos encontros haviam sido tensos. O grupo passava por mudanças e adaptações, as situações nos leitos estavam pesadas e as visitas, por mais que fossem prazerosas e trouxessem histórias inesquecíveis, desgastavam mais que alegravam.
O papel do palhaço de hospital é o de propiciar alegria, bem estar, bom humor e amenizar dores e desconfortos provenientes da doença e do processo de hospitalização.
Certo. Mas e como ficam esses profissionais?
Acredito que algumas pessoas não se atentam para isso.
Eu não me atentava, até ser um deles.
Temos que nos doar, e transmitir tudo o que tivermos de bom em nós, sem nos apegar tanto, de forma a sofrer demasiadamente com as perdas, e sem ser desapegado o suficiente para parecer frio.
Além disso, temos que rebolar para que não nos contagiemos com a tristeza do hospital.
É difícil. Nosso psicológico tem que ser bem trabalhado e temos que estar em harmonia, não só conosco mesmo, mas também com os outros integrantes do grupo.
Mas dias como o de hoje me fazem reviver.

O hospital parecia o paraíso. A música era um luau. Os palhaços eram artistas. Os pacientes, anjos. Os acompanhantes, mágicos. Os profissionais da equipe de saúde eram estrelas. E a visita em si, foi um show.
Tudo saiu tão perfeitamente bem que eu duvido que desse para melhorar.
Eram vozes, histórias, sorrisos, brilho nos olhares, carinho, respeito, calor e muita humanidade sendo lançados o tempo todo, por todos.
E não apenas as visitas foram maravilhosas, como também a comunicação dos integrantes do grupo estava em perfeita harmonia.
Tudo estava em equilíbrio. O dia foi inesquecível. 

Se tem algo que eu aprendi nesses anos visitando hospitais e estando cara a cara com a vida e a morte, foi como viver de verdade.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Airton e Teresa.


         Que dia triste hoje no Feliz.
      Recebi, com muito pesar, a notícia que dois senhores, os quais eu tinha muito apreço, haviam falecido.
       Seu Airton e D. Teresa não resistiram aos efeitos da hospitalização.
         O Feliz perdeu a cor naquele dia. Eu perdi um pouco do sorriso... Das forças.
       Como continuar com a mesma leveza?
     A visita se desenrolou, novos idosos ocuparam seus lugares, mas meu sorriso estava menos feliz. Não tanto pelos que descansaram, mas mais por suas famílias, que conversavam comigo e me olhavam com esperança de que eu pudesse ajuda-los, de que aquela situação pudesse mudar comigo por perto.
            Sempre tive essa sensação.
            Por pior que a situação estivesse, os familiares e amigos me olhavam com aquele clima de que não importava a tristeza momentânea, porque a vida sempre continuava... O bom, o bonito e o bem, ainda estavam por lá.
            Como se fôssemos a mágica em pessoa, a prova viva da felicidade.
            E sendo assim, é como se eu tivesse falhado com eles. É como se eu, por mais que representasse o bem, a alegria, as coisas boas, fosse impotente diante da morte, diante da dor.
            Foi a primeira vez que parei para pensar nisso... E me doeu.